quinta-feira, 4 de novembro de 2010

''Desculpa-me ontem não ter conseguido cumprir a promessa que te fiz. Desculpa não ter estado  aqui quando mais precisavas,  e nem ter sentido o que se passava dentro de ti, desculpa. Hoje o meu dia foi um desastre, e ontem ainda pior foi. Eram quase sete horas quando o meu pai me foi buscar da explicação e meu foi pôr á dança, ainda faltava uma hora para a aula começar, e estive durante esse tempo a ver a patinagem, e a imaginar como seria se eu também conseguisse fazer todas aquelas coisas. A aula de dança foi difícil, aprendemos uma nova coreografia e nenhuma de nós a sabia fazer suficientemente bem. Esforcei-me ao máximo, e foi bom. Fui para casa, contei o meu dia á mãe, e ela não me ligou nenhuma, respondia-me com respostas curtas ‘’sim’’ ‘’não’’ ‘’a sério?’’ ‘’que bom filha.’’, não gostei. Mas nem sequer liguei, pensei que era eu que estava a falar demais, e calei-me. Assim que cheguei, agarrei-me ao computador como sempre, sabes o quanto gosto de passar o dia todo agarrada a isto, horas e horas. Até que ela me chamou para jantar, até á cozinha, fui a treinar alguns dos exercícios que tínhamos praticado na dança, na nossa sala onde tu adoravas saltar para cima do sofá, até a mãe ralhar muito contigo e pôr-te de castigo sozinha lá no canto. Lembras-te? Eu lembro-te tão bem, não foi assim há tanto tempo.
Comi arroz de pato ao jantar, comi tão depressa para voltar para o computador e ainda ter tempo de estudar para o teste que tinha no dia a seguir. Estava delicioso, tenho a certeza que ias adorar. Eu conheço-te, e és gulosa que eu sei.
O pai veio ao quarto, e eu assustei-me, vinha com cara de zangado e parecia que ia ralhar comigo, tinha os olhos vermelhos e tropeçou nas palavras, pediu desculpa mil vezes e eu não entendi, estive cerca de 20segundos para conseguir acreditar no que tinha ouvido, e acho que nem mesmo agora, eu consigo acreditar. Eras a mais bonita de todas, a mais meiga e como tu nunca vai existir ninguém, ninguém. Chorei. Gritei. Dei murros na mesa e empurrei o pai. Corri para a casa de banho e a mãe abraçou-me. Mas sabes que nada do que pudessem fazer, me iria acalmar, tu sabias o quanto eras importante para mim, e o quanto eras especial e diferente. Fui ver-te, estavas tal e qual como te tinha deixado a última vez, deitada com os teus meninos (sempre foste a melhor mãe do mundo), os teus olhos estavam abertos e tive de voltar a chorar quando olhei para ti. Demorei algum tempo até me aproximar, e nem imaginas o que senti quando te toquei e estavas mais fria do que nunca, não estavas ali. Era apenas o teu corpo, e eu não consegui lidar com isso. A mãe obrigou-me a ir para dentro, e deixar-te ali, desculpa-me não te ter levado, prometi-te que nunca te iria deixar, acontecesse o que acontecesse. Já tenho saudades tuas, dos teus beijinhos no nariz, das vezes em que me arranhavas e eu ficava zangada contigo. Quando brincávamos e eu mordia-te, e tu mordias-me a mim. Aprendemos muitas coisas juntas. Nunca me desiludis-te, nunca. Sempre foste o meu melhor, e isso, isso eu nunca te vou conseguir retribuir. És perfeita. Amo-te, até mesmo quando não me deixas encher-te de beijos.
''

Sem comentários:

Enviar um comentário